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Desde pequena, Lúcia Hiratsuka está cercada por poesia: nasceu em um sítio, no interior de São Paulo, chamado Asahi, que em japonês significa “sol da manhã”. Lá, cresceu em meio à natureza e aos livros, que vinham do Japão, incluindo os ehons, que são livros ilustrados. Mais que isso, havia ainda as histórias da avó, contadas a partir das lembranças de sua infância vivida em uma região rural do Japão. Seguiu para a cidade de São Paulo para estudar na Faculdade de Belas Artes. “Mas foi quando conheci os trabalhos de Eva Furnari, Ciça Fittipaldi, Angela Lago e Ricardo Azevedo que encontrei o caminho da ilustração”, diz. Essa descoberta a levou para a Universidade de Educação de Fukuoka para aprender sobre a arte do ehon. Para chegar a 23 livros publicados, escritos e ilustrados por ela, houve ainda um importante aprendizado em oficinas de escrita. “Eu nunca tive muita facilidade em criar histórias. Iniciar um texto e me perder no meio era constante. Ao participar das oficinas, fui percebendo o que poderia me ajudar na construção de uma história, ou como explorar melhor uma ideia simples”, diz.

Uma ideia simples que poderia nascer de algum relato ou de uma cena guardada na memória, e que fica dentro de Lúcia até o dia em que ela percebe que está na hora de construir a história. “Isso implica entrar em contato com as emoções das personagens, explorar as cenas, desenrolar e desenroscar fios... e enxugar muito. E quando entram as imagens, por mais que eu já tenha cortado o texto inicial, vejo que ainda posso tirar frases, mudar e acrescentar pausas. As histórias vão se revelando nesse processo”, diz. Para Lúcia, é como se estivesse dirigindo um filme: no lugar de atores, há os personagens, e no lugar de equipamentos, há apenas lápis e papel. Nas oficinas literárias, ela escreveu muitas crônicas e contos para adultos. “Nunca deixei de atuar no campo da literatura infantojuvenil e dos livros ilustrados, mas alguns dos meus títulos, como Histórias tecidas em seda, Os livros de Sayuri, Orie e Chão de peixes, são lidos também por adultos”.

𝐁α𝗍αᥣɦα𝗌 𝖾𐓣𝗍𝗋𝖾 2005 - 2023:

Prêmio Jabuti: Conquistou o 1º lugar em categorias como Melhor Livro Juvenil (Histórias guardadas pelo rio, 2019) e Melhor Ilustração (Chão de peixes, 2019), além de vários segundos e terceiros lugares ao longo dos anos.

FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil): Recebeu inúmeros selos de "Altamente Recomendável" e prêmios de Melhor Livro para Crianças (Orie, 2015; Amanhã, 2023), Melhor Reconto e Poesia.

Reconhecimento Internacional: Suas obras integram catálogos prestigiados como o de Bolonha (Itália), o White Ravens (Alemanha) e a Lista de Honra do IBBY.

Outras Distinções: Foi presença constante na lista dos 30 melhores livros da Revista Crescer, recebeu o Prêmio Sylvia Orthof da Biblioteca Nacional e selos de distinção da Cátedra UNESCO PUC-Rio.

Em suma, o histórico reflete uma carreira consolidada pela sensibilidade artística e qualidade literária, com foco em temas como memória, ancestralidade e natureza.